Bad Religion – True North

Quando eu era moleque, lá pelos 15 anos de idade, lembro que comecei a comprar meus primeiros CD’s de rock. Sempre ouvi por influência de meu pai. Bandas como The Beatles, Pink Floyd e Toto eram comuns numa tarde de sábado ou numa viagem de carro para visitar meus avós. À medida em que eu crescia, expandir o repertório e descobrir novas bandas era um fato, já que estávamos dentro dos dourados anos 90. Foi nessa época, que fiquei fascinado pelas bandas punk que atravessaram dos 80 e estavam arrebentando de tocar em todos os cantos do mundo. E nessa onda que conheci Bad Religion. Deixando o blá-blá-blá da história e indo direto ao ponto: esse ano eles lançaram True North.

True North – vá aonde poucos tiveram a coragem de ir.

Que bom que o apocalipse não aconteceu, pois, esse foi, na minha opinião, um dos melhores álbuns que ouvi até agora. Juro que a música chefe do disco, True North, me fez rejuvenescer uns bons 10 anos. É de uma energia inigualável e intensa que te faz querer sair para a rua cantando à plenos pulmões. E faz sentido, já que as letras do álbum são um convite à uma grande busca, por uma felicidade comum, quando encontrar o verdadeiro Norte da bússola.

Sempre empurrando para frente com letras de protesto, mirando o futuro e a evolução, o disco vem consagrar a marca registrada da banda californiana: músicas rápidas com trabalho vocal empolgante e muita distorção. O mais bacana ao ouvir o novo disco é sacar que a qualidade musical não mudou e não diminuiu em mais de 30 anos! É a mesma banda. São os mesmos caras. Escrevo essa recomendação com propriedade e também com orgulho, pois, acompanho desde moleque e muito daqueilo em que acredito hoje foi porque dei ouvidos ao que eles tinham para dizer. E algumas vezes só precisamos disso mesmo.

Esses caras tem a receita de como fazer ótimas músicas. “Vanity” e “My Head Is Full of Ghosts” são curtas, diretas e agressivamente excitantes. Daquelas que te fazem pedir por mais. O que mais posso dizer? É old school punk! É exatamente como deve ser! Sites de música no mundo todo fizeram ótimas críticas do novo trabalho mas, deixando tudo isso de lado, mesmo se você nunca ouviu Bad Religion, True North é um excelente começo. Possui toda a forte influência e a experiente composição de toda a carreira do grupo, de três décadas atrás.

Com pouco mais de trinta minutos no total, já considero True North como um clássico e ele ficará entre na minha playlist por um longo tempo. Bom proveito e um grande abraço!

Ensaio sobre a Lucidez, Jose Saramago

“Lucidez”, segundo Houaiss: (lúcido + -ezs. f. 1. Qualidade de lúcido. = BRILHO, CLARIDADE. 2. Ausência de quanto pode obscurecer (física ou moralmente).

Vou explicar o motivo desta definição no início; Esta obra de Saramago tem ligação direta com outra obra dele chamada “Ensaio sobre a Cegueira” de 1995. ( Se não leu, o que deveria ter feito, assista o filme de Fernando Meireles. Depois tenho certeza que você vai ler). No livro (ou filme) o que seria falta de visão e pessimismo, nesta obra que o Eks recomenda é otimismo e horizontes que se abrem.

O livro começa abordando o ato de votar. Estando em um certo dia de eleição para um certo parlamento em uma cidade imaginária ( A mesma de Ensaio sobre a Cegueira), mesários de uma junta eleitoral estão assustados com a possibilidade de haver enorme e inédita abstenção devido uma forte chuva. Quase metade do dia já passou e os eleitores são pouquíssimos. Mas, o espanto cede ao alivio quando os eleitores comparecem em massa no final do dia.

A surpresa e o espanto ficam reservados para os resultados. Apenas 17% dos eleitores votaram em algum dos três partidos em disputa. Os outros 83% votaram em branco. Este sim um fenômeno inédito. As autoridades ficam em pânico. Dizem que a população não está sabendo usar seus direitos. Mais precisamente, dizem que “Se os votos estão aí é para que façamos um uso prudente deles”. “Os direitos não são abstrações (…), os direitos merecem ou não se merecem, e eles não o mereceram”. (SPOILER.. Rá)

Esta é a essência da democracia que a burguesia inventou. A de não ter essência. Para chegar ao poder pelo voto há que se passar por vários filtros.  Se isso não acontece, a população não soube merecer seus direitos. É golpe! Como em 1964, no Brasil. Essa é uma opinião minha e fique “à l’aise” para discordar e podemos dialogar sobre a sua vasta alienação política (Toma!!).

É assim que os poderosos fazem no livro. Reagem à votação estranha da população impondo um Estado de Sítio. E o autor faz um personagem notar que este é um Estado de Sítio muito particular. O inimigo não está fora, “é dentro que está”. É a vontade popular que se manifesta de um modo que os dominadores não podem administrar. Tanto é que abandonam a cidade. (SPOILER 2)

Ao narrar as providências de governo, polícia e imprensa para entender as razões da “epidemia branca”, ações estas que levam rapidamente a um delírio autoritário,  Saramago faz uma analise profunda (muito comum em seus romances) da fragilidade dos rituais democráticos, do sistema político e das instituições que nos governam.

A Lucidez aqui é o que se opõe à loucura, a demência…  não se trata de mera metáfora ou ironia. E ele propõe não a substituição da democracia por um sistema alternativo, mas o seu permanente questionamento (Isso era fantástico nele). Questionamento que Saramago definia como “potência simbólica da literatura, arte, política… que por fim se revela capaz de vencer a mediocridade, a ignorância e o medo.

Um romance que não só nos chama atenção para o despertar de questões políticas, mas também para nosso amadurecimento intelectual. A razão é a única coisa que nos distingue dos animais, então que possamos usá-la com sabedoria.

Biografia rápida do Titio:

José Saramago nasceu em 1922 na província de Ribatejo, em Portugal. Exerceu diversas profissões ao longo da vida – serralheiro, desenhista, funcionário público, jornalista – antes de se dedicar a literatura. Ateu, comunista (tinha que ter uma falha nessa cabeça genial) foi Prêmio Nobel de Literatura em 1998 e escreveu algumas das obras mais relevantes da literatura contemporânea como O Ano da Morte de Ricardo Reis, Ensaio sobre a Cegueira, O Evangelho Segundo Jesus Cristo (Foda, foda… do caralho.. foi mal o desabafo. Esta obra, alias, fez com que ele fosse excomungado e “expulso” de Portugal a pedido da Igreja Católica, mas em outra oportunidade conto esta história) As Intermitências da Morte (Sensacional também) e Caim (Pesado, mas ótimo. Se você é cristão e adora as historinhas do velho testamento, não leia este livro. Você vai ficar muito ofendido). Saramago faleceu =( em Lanzarote, nas Ilhas Canárias (Espanha, eu acho), em 2010.

Abraço do Zé!

My Brightest Diamond

Vou começar igual, tá? Falei de Nneka, MAdM, Sarah Blasko e termino (será?) essa série de moças no vocal com algo… completamente diferente. My Brightest Diamond tem o estilo tão inexplicável quanto Blasko, mas de um jeito diferente. Sem ounnns ou gracinhas. O som dela é sério, triste e simples, o que me faz admirá-la pelo pouco em suas canções e o tanto de sentimento que elas carregam. Vou começar com um mais recente.

A multi-instrumentista Shara Worden é a líder do projeto todo. Ela é a compositora e cantora das músicas, todas com letras belas e intrigantes. Esse próximo vídeo fala da visão de uma criança sobre a morte. Sério, crianças e morte na mesma música, em tom menor.

Arrepiou? Pois é, My Brightest Diamond tem essa característica. As músicas mínimas e com poucos efeitos trazem sentimentos diversos durante as canções. Não dá pra explicar… é explosivo. Robin’s Jar tem essa cara de coisa pouca que vai crescendo e que chega a um ponto grande, expansivo, com voz mais projetada, backing vocals… Mas, na minha humilde opinião, o som mais explosivo da cantora está em Something of an End, que fala sobre… o fim. Um terremoto? Um cataclisma? Uma doença terminal? Não sei. Mas é bonito e terrível.

Seguindo o exemplo de Blasko, apresento-lhes um cover da moça que ficou bem diferente do original. Tainted Love, da banda Soft Cell, na voz de Shara ganha um teor ainda mais sensual e festivo que a música original.

E a eksperimentação acabou

Pois é. É o fim.

O Eks começou com uma ideia simples: compartilhar recomendações para o maior número de pessoas possíveis com textos do maior número de colaboradores possível. A ideia mudou com o tempo e acabamos com alguns poucos colaboradores. Um saiu do site, outro entrou, fulano desanimou e ciclano pulou de cabeça. No fim das contas, foram bons meses.

Mas, infelizmente, o Eks se tornou algo insustentável. Lembro que estou falando aqui como Angelo Dias, não como a entidade imaterial Eksperimentar. Não estava legal manter o site do jeito que estava. Mesmo com a periodicidade cravada e a variedade de assuntos tínhamos pouquíssimas visualizações diárias. Mesmo com a página do facebook com cento e poucos curtir, tínhamos somente 20 a 30 visualizações por post. A ideia de transferir o site para um servidor — melhorando o layout e possibilizando um retorno financeiro — foi por água abaixo com esses números pequenos. Eu não tenho cacife para bancar o servidor e não ver retorno do site.

Estou sendo sincero a vocês, leitores. Adoraria que o site continuasse mas o cálculo esforço x retorno está saindo negativo, o que me faz fechar o site. Alguns posts virão ainda essa semana, mas depois disso o Eks estará oficialmente fechado. Os textos continuarão aqui até não-se-sabe-quando, mas não haverá mais atualização.

Eu odeio dar tchau para um projeto, mas, como dizia algum infeliz por aí: “pra você se dar bem, alguém tem que se ferrar”. Outros projetos e responsabilidades surgiram para todos os participantes, portanto, o ferrado da vez foi o Eksperimentar.

Obrigado pela audiência. Até a próxima.

Just Cause 2

Como já faz um tempinho que não posto nada sobre games, então, sem fazer rodeios, deixe-me fazer um convite logo de cara: prepare-se para uma aventura incrível de tirar o folêgo! Conheça Just Cause 2. Antes de mais nada, veja o trailer, para ter uma pequena ideia da grande maravilha que é esse jogo.

Conseguiu sentir a adrenalina? Muito bem. Você é Rico “Scorpio” Rodriguez, um mercenário contratado por uma agência secreta americana para realizar alguns trabalhos sujos e foi solicitado para utilizar de suas habilidades na ilha da província de Panau, uma região fictícia ao sudeste da Ásia. Os habitantes da ilha vem sofrendo com a forte repressão implantada pela ditadura do atual governador, Pandak Panay, que cortou sua aliança com os Estados Unidos após a morte de seu pai, o ex-governador.

Ação intensa com uma pitada de humor

Logo de cara, após ser levado de helicóptero à um ponto estratégico, você já deve aprender a se controlar numa queda-livre até uma instalação militar, que contém informações vitais para seu próximo trabalho. Chegando ao solo, começa a diversão ilimitada: o principal objetivo do personagem é apenas causar caos. Muito caos! Tudo o que você deve fazer é destruir o que está ao seu redor e tentar continuar vivo, claro.

Quando for sabotar um oleoduto, corra para longe e depois para mais longe ainda.

Vale tudo nesse jogo: incendiar silos de combustível, sabotar o gasoduto, desalinhar as engrenagens dos geradores elétricos, quebrar os lançadores anti-aéreos, etc. Para isso, existe à mão um arsenal imenso. Mas não é apenas atirando com suas armas ou detonando explosivos que você derruba uma torre de rádio de centenas de metros, não é? Roube um tanque ou voe num chopper. Se acabar a munição, de quebra, você arremessa o veículo contra a base para causar um estrago ainda maior.

Nada melhor para acalmar os nervos do que roubar um helicóptero

Ainda não falei, mas o grande trunfo do jogo é o acessório devastador que dá o apelido ao personagem principal. Em seu braço esquerdo, um lançador de gancho com cabo-de-aço. Lembra do Scorpion? Bingo! Esse gancho permite que você se prenda à qualquer superfície para ganhar impulso ou para prender-se à um objeto e, até mesmo, para atar dois inimigos juntos, por exemplo. A descoberta de novas (e na maioria das vezes hilárias) possibilidades é a garantia de diversão absoluta. Só de brincadeira, tente atar um carro em movimento a uma árvore, ou a um outro carro no sentido contrário e assista atenciosamente. Você vai me agradecer.

Com gráficos muito bem detalhados, sonoplastia perfeita, AI e física extremamente bem desenvolvidas, além de uma excelente jogabilidade, Just Cause 2 é um game que recomendo fortemente. Garanto que sua eksperimentação será prazerosa e divertida. Um grande abraço e good game!

Nota do Editor: Jack esqueceu de falar do PARAQUEDAS. E também esqueceu de dizer que esse jogo é divertido mas é o game mais galhofa do mundo. Sério, é pra dar risadas mesmo.

Sarah Blasko

Esse post vai para a Daia e para o Marcão. E já peço perdão pela falta de texto… mas creio no Don’t Tell, Show.

Falei de Nneka, de MAdM e, continuando o padrão de moças vocalistas com estilos diferentes, trago agora Sarah Blasko, uma cantora de… err…

Sarah Elizabeth Blaskow (quem deu a ideia de tirar o W foi um gênio) é uma cantora australiana de… pop? Não sei mesmo o estilo de suas canções! Algumas músicas são mais lentas, outras mais pegadas… não é rock, ok. Não é alternativo. Mas será que POP é o gênero correto?

Ah, pouco importa. O notável mesmo é a capacidade da moça de fazer belíssimas músicas com letras fas-ci-nan-tes. Sério, poesias com um violãozinho no fundo. Exemplifico isso com Always Worth It, uma de minhas favoritas. (Recomendo acompanhar a letra)

Que som gostoso né? Que voz calma, serena, feita para uma tarde chuvosa ou noite fria. Mas não para por aí. A moça não tem só uma voz bonita que fica melhor ainda sob trezentos efeitos de estúdio. Ela canta PRA CACETE. Quer uma prova? Então aí vai outro som fantástico, ao vivo, acelerado e com uma pegada diferente da versão de estúdio.

Não tem muito o que falar da mulher. O estilo dela continua indefinido, mas o poder da voz tranquila e as composições perfeitas em instrumental e letra não deixam espaço para palavras. Por isso, lanço abaixo outra música serena, ao vivo, só no violãozinho.

Que gracinha, né? É o tipo de som que você escuta com a(o) namorada(o) embaixo das cobertas. Bonita, talentosa e divertida, essa é Sarah Blasko. Porque divertida? Conhece OutKast?

Para finalizar essa recomendação (que está mais para uma puxação de saco), mostro um clipe muito bem feito e com uma música fantástica (ORLY?)

Ounnn… parei.

Para os cristãos de plantão: Sarah Blasko é filha de dois missionários e frequentava a igreja que hoje é o HILLSONG. Eita. 

Fire Emblem

Como diria o velho estrategista Sun Tzu, “o que é de suma importância em uma guerra é atacar a estratégia do inimigo”. Mas que isso tem a ver com esse post de games aqui no Eks? TUDO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Tem tudo a ver porque estamos falando de games, de estratégia, de games de estratégia, estratégia de games e… enfim. Estamos falando de Fire Emblem.

Este fabuloso game lançado pela Nintendo, primeiramente para o Famicom (conhecido por nós aqui das Américas como Nes, ou ainda Nintendinho) em 1990, é considerado como o primeiro do gênero. Trata-se de um RPG/estratégia onde cada personagem tem um papel durante a batalha e cada quadradinho movido pode significar a vitória. Aí temos nosso elemento de estratégia. O RPG é incorporado a um cenário medieval fantasioso, com magias, cavaleiros clássicos em seus cavalos e também cavaleiros montados em pégasos ou wyverns, criaturas parentes de dragões, mas bem menores.

Screen do primeiro Fire Emblem, para Famicom

Hoje em dia temos games inspirados nessa épica saga dos RPG de estratégia. Dentre eles temos o Advance Wars, para Game Boy Advance e o famosíssimo Final Fantasy Tactics. Fire Emblem veio para revolucionar o mundo dos games.

Agora vamos aos pontos fortes…

O primeiro ponto forte, e o meu favorito, é a necessidade de se fazer uma estratégia para enfrentar os inimigos. Digo isso porque não adianta ser o super espadachim lendário se você vai enfrentar o soldadinho especialista em matar super espadachins lendários com sua lança para matar espadachins lendários. Cada tipo de personagem e a arma que usa é forte contra outro tipo de personagem, com a sua respectiva arma. Da mesma forma que também há uma fraqueza. Esse triângulo de combate funciona assim: espada > machado > lança > espada. Isso também acontece com os arqueiros, que são especialistas em abater unidades aéreas. Além disso, temos as magias e as vantagens e desvantagens também são aplicados aqui. Logo, estamos falando de estratégia pura!

Mais um ponto forte é a evolução dos personagens. Cada um possui 20 níveis de evolução. Se você acha que parou por aí, está enganado!!! A partir do nível 10 e se possui o respectivo item para tal, os personagens podem evoluir para classes ainda mais poderosas e possuem mais 20 níveis a serem alcançados!!! Isso sem contar que a partir do game Fire Emblem: The Sacred Stones os personagens poderiam escolher entre duas classes avançadas e não ter uma evolução fixa, como acontecia anteriormente.

Um mais da hora que o outro. E agora????????

Outro ponto forte é que em todos os games da série o enredo é bem trabalhado, contando com tramas de criaturas malignas e guerras de tronos. Sem contar também que os jogos são longos e é possível mergulhar em seu enredo e também mergulhar em cada personagem. Durante as batalhas, alguns personagens podem interagir entre si, além de haver a possibilidade de convencer alguns alguns inimigos específicos ou NPC (non playable characters, ou seja, personagens não jogadores) para se juntar a equipe.

O game é tão bom que até hoje possui continuidades. Ao total, são 12 games na série Fire Emblem e observamos frequentemente evoluções muito positivas em jogabilidade, história e gráficos. Um comentário que ouvi recentemente sobre o mais atual game da série foi do meu amigo Gabriel: “impressionante!”. Nada mais a acrescentar.

Lembra da primeira imagem deste post? Este aqui é um dos mais atuais da série!!!

Poderia dar milhões de outros motivos para se jogar Fire Emblem, mas o principal conselho que posso dar a vocês coleguinhas gamers é Eksperimentar esse lendário RPG/Estratégia. Teste seus dotes de estrategista e mergulhe profundamente nessa saga muito bem elaborada. 100% de garantia de diversão por horas e horas!

Cannes

Começou no dia 15 de maio a 66ª edição do Festival de Cannes, talvez a competição de maior prestígio do cinema mundial. O Eks recomenda que os cinéfilos de plantão fiquem de olho, pois sempre sai coisa boa de lá. Para quem duvida, é só lembrar alguns dos últimos vencedores: “Pulp Fiction”, “Dançando no Escuro”, “O Pianista”, “A Árvore da Vida” e os dois últimos filmes de Michael Haneke, queridinho do júri, “A Fita Branca” e “Amor”.

Em 2013 o júri será presidido por Steven Spielberg. A escolha do presidente é de grande importância, pois ele tem muito peso na escolha dos premiados. Um bom exemplo foi a edição de 2004, quando Quentin Tarantino foi o presidente na ocasião. Ele ficou fascinado e defendeu arduamente a escolha de “Oldboy” para a Palma de Ouro, mas o júri internacional acabou escolhendo “Fahrenheit 11/9”, de Michael Moore. Mesmo assim o filme coreano, com lobby de Tarantino, saiu da França com o Grand Prix, o prêmio do júri.

Nota do Editor: Um dos meus asiáticos preferidos

Esse ano quem abre a festa é “O Grande Gatsby”, de Baz Luhrmann. O filme estrelado por Leonardo DiCaprio não está na competição. Dentre os competidores há uma grande variedade, que vai de Paolo Sorrentino a Jia Zhangke. Mas os olhos devem recair sobre as celebridades Roman Polanski, que apresenta “La Vénus à la Fourrure”, os irmãos Coen com “Inside Llewyn Davis” e Steven Soderbergh com “Behind the Candelabra”, que contará a história de Liberace, interpretado por Michael Douglas. Vale a pena ficar de olho em “Only God Forgives”, nova parceria entre o diretor  dinamarquês Nicolas Winding Refn e Ryan Gosling, que juntos já apresentaram “Drive” no mesmo festival.

A mostra paralela Um Certo Olhar promete dois filmes interessantíssimos: “Enquanto Agonizo”, adaptação de “As I Lay Dying”, romance de William Faulkner, que é dirigido por James Franco. E a nova obra de Sofia Coppola, “The Bling Ring” (a tradução no Brasil deverá ser “A Gangue de Hollywood”), estrelada por Emma Watson.

Se mantiver a tendência dos últimos anos, podemos esperar algumas dessas obras na lista de indicados ao Oscar em 2014. O que é certo é a qualidade desses filmes. Se Oscar, Globo de Ouro e Bafta geram algumas polêmicas em suas escolhas, isso dificilmente acontece com a Palma de Ouro. Cannes é sinônimo de cinema bom!

Thomas Shikida é jornalista e colunista no site Cactoos. Já virou um colaborador frequente no Eks e continua pontual como o oriental que é.

A Chave de Sarah

Como vocês já devem saber (assim espero), eu gosto da temática Segunda Guerra Mundial, como descrevi no post sobre MAUS. Sendo assim, trago, mais uma vez, uma eksperimentação que aborda o mesmo assunto, porém trata-se de um filme francês: A Chave de Sarah. Eu poderia também falar do livro homônimo escrito pela também francesa Tatiana de Rosnay, o qual, ao meu ver, é bem mais instigante, mas a produção cinematográfica é bem feita e de sensibilidade ímpar, bem como a narração escrita. Falar de um é falar do outro, claro, mas antes dos enfins, um pouquinho do filme:

Como sempre, eu li o livro antes de assistir ao filme, embora tivesse conhecimento deste antes. Dirigido por Gilles Paquet-Brenner, o filme se passa alternadamente entre 1942 e 2002 e traz à tona as verdades e barbaridades da Segunda Grande Guerra. No século XXI, a jornalista Julia Jarmond (Kristin Scott Thomas)  é encarregada de fazer uma reportagem especial sobre o tempo em que Paris ficou sob domínio nazista. O que ela vai descobrir está mais próximo do que se possa imaginar.

Casada e mãe de uma filha, Julia está grávida, mas não tem o apoio do marido, o qual pede aborto. Pressionada, triste e convencida, ela vai até uma clínica, mas o seu desejo de saber a verdade sobre duas crianças foi mais forte.

Sarah Starzynski (Mélusine Mayance) é uma garota judia que mora em Paris com os pais e o irmão caçula Michel no período da dominação nazista. Antes de toda a família ser levada por soldados franceses para um campo de concentração, Sarah tenta proteger o irmão escondendo-o em um armário com a promessa de voltar para buscá-lo. Ela tranca o armário e guarda a chave consigo.

A jornalista, que descobre uma ligação entre sua família e a de Sarah, se lança numa busca profunda pela garota e Michel, na esperança de que eles estejam vivos, afinal apenas os nomes dos pais destes estão na lista de presos dos campos de concentração.

Será que Sarah voltou para resgatar o irmão? Será que ela ainda está viva e contribui para a reportagem especial de Julia? Como termina essa história? Respostas que você, leitor, terá de descobrir quando assistir ao filme A Chave de Sarah. E, com certeza, não menos importante, deixo aqui a recomendação do livro também!

Uma história emocionante que não se pode deixar de conhecer. Vale a pena e o Eks recomenda!

Marrocos

enhores passageiros com destino ao Marrocos, para iniciarmos nosso texto é necessário que os senhores vão ao YouTube e procurem pela música “Marrakesh Express” do trio “Crosby, Stills and Nash”. Desde já agradecemos a preferência pelas Linhas Aéreas Eksperimentar. Muito obrigado e tenham uma boa leitura!

Nota do Editor: RÁ! Não precisam procurar nada! O vídeo está LOGO ABAIXO! Não é magia, é tecnologia!

E aí? Colocaram a música? Muito bem, isso dará uma trilha sonora para uma incrível viagem que fiz e que compartilho as informações para quê, caso se sintam interessados, façam também! Primeiro passo é sem dúvida chegar ao Marrocos. Feito isso, aconselho logo de cara o tour Camel Trekking.

O passeio consiste em 3 dias e por €200 por pessoa estão inclusos todo o transporte, visita a pontos turísticos, café da manhã, jantar e acomodações para as duas noites. Guiado por Arhmed, um marroquino gente boa e atencioso que fala um inglês bem compreensível, um espanhol razoável e um árabe perfeito (logicamente), o percurso nos leva a lugares mágicos nunca antes visto por esse que vos escreve.

Todo o transporte do tour ocorre em uma confortável Hyunday para 6 passageiros. É um pouco cansativo, já que passei umas 16 horas dentro do automóvel, mas as estradas são todas asfaltadas e as majestosas cadeias de montanhas do Atlas os cercarão pela grande maioria do caminho, fazendo com que os minutos passem mais depressa.

DSC02405

Marrakesh

O início da jornada é na cidade de Marrakesh, um ponto chave para visitas. A cidade, uma das mais populosas do país, tem belas mesquitas e tradicionais restaurantes. É sem dúvida o lugar para a compra de presentes e lembrancinhas (cartões, bijuterias, tradicionais calçados e xales, entre outras coisas). O guia te busca em qualquer ponto da cidade, mas conhecê-la não está presente no cronograma do passeio, ou seja, é preciso de um dia a mais para visitar o local.

Cadeia montanhosa Atlas

Após o ponto de encontro, a primeira etapa é a travessia do Atlas, cadeia de montanhas que se estende da Argélia até a Tunísia. O Atlas é também a primeira rasteira que a natureza lhe dá, pois com tanta beleza natural apresentada você se sentirá um pedregulho no meio de tal maravilha. Para os fãs de geografia e especificamente do assunto rochas e sedimentos, aviso que o banquete já está servido neste local. O que não faltam são os montes e as rochas de todas as formas e cores.
A hora passa e temos que deixar as estradas que sobem e descem o Atlas, mas não se preocupe ele não deixará saudade no momento, já que pega carona conosco e continua ao redor do trajeto em direção aos nossos destinos.

Kasbah Aitibinhadou

As próximas paradas possuem ares cinematográficos, pois visitamos o Kasbah Aitibinhadou, que seria uma pequena cidade fortificada e que se encontra no caminho entre Marrakesh e o Saara, e que fora também cenário de filmes como “Gladiador”, “Príncipe da Pérsia” e recentemente a série de TV “Games of Thrones”. E a cidade de Ouarzazate, onde se encontra o Atlas Studios, responsável por filmes como “A Bíblia” e “A Múmia”.

Vale das Rosas

Vale das Rosas

Antes de descansarmos, fazemos uma última parada no Vale das Rosas. Sobre este local não vou me estender muito porque não há muita explicação, é apenas uma das vistas mais inacreditáveis da minha vida! Eu estava tão morto de tanto andar de carro que cochilei quando Arhmed mostrou a necessidade de descer para uma última vista panorâmica. Desci da van, um pouco contra minha vontade, e subi um lance de uns 100 degraus. Foi então que tomei meu segundo golpe. Um upper no queixo tão forte que fiquei zonzo com tamanha beleza. A imagem acima é apenas 10% do que representa estar lá!

No fim do dia repousamos no Hotel 5 Luas, que não é 5 estrelas muito menos 5 luas (heh), mas é uma acomodação aconchegante e suficiente para uma noite bem dormida. Ah! E lembrem que jantar está incluso, então desfrutem do menu:

Cerâmica chique

Como entrada, uma sopa marroquina. Como prato principal, um tradicional Tagine, um cozido que dependendo do restaurante, possui ingredientes diferentes. Basicamente é um cozido com frango, batatas, cenouras, tomate e vagem. Então porque não chamamos apenas de cozido? Por causa do diferencial que está apenas no modelo do prato que é servido, uma obra da cerâmica marroquina.

Galera esse foi só o primeiro dia e o segundo foi mais incrível ainda, com um grand finale de arrepiar!
Então vamos lá?

Sou engraçadão

O dia começa às 9 da matina e … OPA, OPA! Acharam que ia ser fácil assim?

É o seguinte: Eu quero audiência para o Eksperimentar!!!! Hahahaha
Antes, gostaria de agradecer aos elogios que recebi pelo texto de Stratford-upon-avon! Muito muito obrigado mesmo, fico extremamente feliz pelo reconhecimento!!!
Mas voltando ao meu apelo, apenas com 20 comentários com o texto: ” Eu quero ir para o Marrocos!!!” é que o segundo e último capítulo da minissérie “Duas noites e 3 dias no Marrocos” será publicado nesse website. Portanto, você que gostou e está curioso, comente já e vá em busca de amigos e parentes que leiam o primeiro texto e comentem também!

Até mais caros leitores!! Os espero para nossa próxima aventura!!!

Gabriel Kimio é o colaborador do Eks que mais viaja. Sorte dele. O azar é que sua namorada ficou no Brasil. Mas isso irá desanimar nosso samurai? NUNCA! Aí vai sua homenagem para sua garota, a Aninha!

Românticos!

PS: O texto do Gabriel é minimamente editado. Como ele é um colaborador externo, prefiro deixar suas marcas de linguagem e personalidade no texto do que corrigir e arrumar cada detalhe que acho “inadequado”. O importante, nesse caso, é a emoção.